Gostei da leitura, flui muito bem. Fiz algumas correções, até de erros de digitação, e assinalei-as com asteriscos. Enquanto lia, eu pensava, tenho uma história boa para contar ao Cachorrão. Mas à medida que o livro avançava, todas essas histórias apareciam. Vou pensar mais um pouco, procurar alguma anedota inédita, mas acho que você as conhece todas, melhor que eu.

Um grande abraço,
Chico Buarque

Na Imprensa

Canções trocadas em miúdos

15/10/2009 - Diário de S. Paulo por Donizeti Costa

Livro do criador do site de Chico Buarque revela como nasceram 133 canções do músico

Se a lenda for mais interessante que o fato, publique-se a lenda. Com algumas canções que Chico Buarque compôs nos tempos do regime militar (1964-1985), parece ter imperado essa máxima enviesada. Mas, enfim, a verdade sobre essas músicas vem à tona, no livro "História de canções: Chico Buarque" (Leya, 428 págs., R$ 35,90), em que o escritor Wagner Homem, criador do site do músico, passa a limpo a origem e curiosidades de l33 criações do compositor carioca.

Uma das mais célebres lendas que cai por terra é quanto à real intenção de "Jorge Maravilha" em que ele, em 1974, assinou com o pseudônimo de Julinho da Adelaide, para poder passar despercebido pelos censores. Na parte que diz "Você não gosta de mim/ mas sua filha gosta': muita gente achava que a frase fora feita para o ex:presidente Ernesto Geisel (1907-1996) e sua filha, Amália Lucy, que se dissera fã de Chico. "Mas a ideia surgiu quando ele foi detido por agentes de segurança, e um deles pediu-lhe um autógrafo para levar para a filha”, esclarece Wagner Homem. Segundo ele, Chico compôs, na carreira, por volta de 340 canções. "Mas as que tinham alguma curiosidade, uma história a ser contada, eu contei."

A marcação da censura era cerrada até em textos sem segundas intenções. É o caso de “Trocando em miúdos”, parceria com Francis Hime, em que os homens da caneta vermelha implicaram com o trecho "Devolva o Neruda que você me tomou/ E nunca leu”, que fazia referência a Pablo Neruda, poeta comunista chileno. Diante da ameaça de veto, Chico Buarque saiu-se com essa justificativa: a moça, embora tenha ficado com o livro, como diz a letra, nem chegou a lê-lo.

FÃ VIROU ESPECIALISTA

Formado em administração de empresas, Wagner Homem começou a juntar discos, reportagens e outras coisas relativas a Chico Buarque ainda como um fã comum. Mas levou tão a sério sua empreitada que acabou virando um especialista no músico. A ponto de participar como colaborador no livro "Tantas palavras”, de Humberto Werneck, lançado em 1989 como "Chico Buarque - Letra e música” ocasião em que teve seu primeiro contato com o ídolo.

Dez anos depois, sugeriu ao já amigo criar uma página com sua obra na então nascente internet. Boa parte do recheio de "História de canções" vem dos levantamentos que fez para alimentar o site chicobuarque.com.br. O livro, aliás, também tem seu espaço próprio no ciberespaço, a ser sempre atualizado, em www.historiasdecancoes.com..br.

Diáriio de S. Paulo

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